agosto 02, 2015

Outsider

Às vezes sinto que não faço parte desta família, ou pior, que não gostava de fazer parte dela. Existe muita coisa com a qual não me identifico, nomeadamente secretismos, comentários sobre a vida alheia e consumismo e sinto que sou desrespeitada e desvalorizada. Põem e dispõem de mim como se eu não tivesse opinião ou vida própria e constantemente comparam-me à minha irmã, mais velha que eu. Começou a trabalhar antes de mim, a convite da faculdade e nunca teve de procurar trabalho. É certo que foi também viver sozinha aos 21 anos e teve de se desenrascar, porque não tinha outro remédio, mas enquanto viveu com os pais não mexia uma palha e era sempre a ver se eu fazia mais ou menos do que ela. Hoje chateiam-me a cabeça porque não faço isto e aquilo, porque sou assim e assado e porque nunca vou conseguir ter uma casa ou fazer seja o que for. 

Mas alguém já parou para pensar que eu não vivo sozinha? Que durante toda a minha vida fui educada para estudar e só depois trabalhar e nunca fui incentivada a fazer nada em casa? E que de um momento para o outro acordam e lembram-se que não me vêem a fazer nada? O problema é que têm memória curta e não dão valor ao que faço. Apesar de sempre ter gostado de ser organizada e arrumada, com a idade deixei de o ser tanto. No entanto, sempre que tenho de ficar sozinha com o meu pai, enquanto a minha mãe tem de ficar em casa da minha irmã ou quando se tem de ausentar, eu arrumo, lavo e passo a ferro. E ainda este fim de semana fiz um bolo e uma sobremesa, por livre e espontânea vontade mas para a minha avó devia ter feito o bolo de sempre e outra sobremesa lá no entender dela.

Mas será que esta gente nunca fica satisfeita? Será que não conseguem abrir os olhos e perceber que não é por eu fazer as coisas só de vez em quando que não sei fazer e que vou ser uma vergonha? Será que não compreendem que não tenho a necessidade de fazer as coisas porque não vivo sozinha? Será que acham que as vou chamar um dia a minha casa para me fazerem alguma coisa? Mas em que mundo estas pessoas vivem? Será que me conhecem minimamente? Sempre achei que não e cada vez me convenço mais disso. Já não aguento ouvir comentários destes vindos da minha avó, aos quais a minha mãe vem por arrasto. Oxalá um dia possam engolir tudo o que de mal e contra mim dizem. E é por isso que se hoje o A. me dissesse que amanhã íamos para o Canadá, eu não pensava duas vezes, não tenho nada que me prenda aqui.

5 comentários:

  1. Compreendo-te muito bem. A mim também me comparam muito, não com a minha irmã porque soou filha única mas com primas e assim. Vivo com os meus pais, sempre que é preciso ajudo, mas é raro fazer alguma coisa admito, lá está, não há necessidade. O melhor é ignorar, um dia eles vão abrir os olhos vais ver!
    Li**

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  2. É impressionante o facto de eu estar exatamente na mesma situação que tu! Sinto que qualquer dia vou acabar por explodir!
    Beijinhos :)
    http://those-colorful-words.blogspot.pt/

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  3. Também ouço muitas vezes esses comentários e, ainda por cima, eu tenho um irmão. Não há igualdade nesta casa, para eles o meu irmão será sempre o tipico homem que nao tem de fazer as tarefas que competem às mulheres.

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  4. Identifiquei-me tanto porque também tenho má relação com a minha família e sempre fui comparada á minha prima. Um dia vamos mostrar do que somos feitas e vão engolir tudinho! Subscreve isso :p

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  5. Por essa e por outras que para mim a minha família são os meus pais e os amigos que escolhi como família

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