Desde Agosto deste ano, o A. está a realizar um estágio profissional, numa empresa conceituada. Acontece que desde o primeiro dia que lá entrou até agora, todos os dias se queixa - e com toda a razão - do funcionamento da mesma e não só. Só para terem uma pequena noção, todos os dias trabalha mais de oito horas - apenas com meia hora de almoço e duas pausas de 10/15 minutos de manhã e à tarde respetivamente - , muitas vezes não por ser obrigado mas pela sua noção de responsabilidade e compromisso para com a empresa; o chefe do departamento é parvo até mais não e não raras são as vezes em que comunica literalmente aos berros sem nunca mostrar um sorriso, fazendo com que trabalhe sobre uma grande pressão psicológica; todos os últimos sábados do mês tem de ir trabalhar também, sendo que ainda da última vez foram 12 horas seguidas e a cereja no topo do bolo: a orientadora está desde esta semana de licença de maternidade deixando-o sem acompanhamento, sendo colocada uma nova colaboradora no seu lugar mas que percebe tanto ou menos que o A. tendo de ser ele ainda a "orientar" a nova colaboradora.
Já por mais do que uma vez que me disse "tira-me daqui por favor" e como devem calcular não é fácil saber o que lhe fazem e ter de ficar quieta, impávida e serena como se nada fosse. Mas acabei por fazer. A S. antiga colega de estágio, contou-me que tinha uma amiga que fez denúncia do estágio profissional onde estava para poder realizar outro, sim porque só temos oportunidade de realizar um, e então a pedido do A. elaborei-lhe uma carta de rescisão do contrato de estágio profissional para que ele pudesse enviar para o IEFP primeiro sem ter de faltar ao estágio, esperar pela resposta ou não e então depois deslocar-se lá pessoalmente. Disse que estava bem escrita e que tinha explicado os pontos essenciais (mas não enviou de imediato). Hoje volta a queixar-se que está farto daquilo e pergunto-lhe se quer que envie a carta... responde-me que o pai não quer que ele envie porque "temos de ser duros" e precisa de dinheiro! E o menino não quer contrariar o pai porque diz ser ele a sustentá-lo! É de mim ou isto não é normal?
Que pai incentiva o filho a trabalhar - mesmo sabendo de todas as queixas - por dinheiro? Não para ele, mas para o filho. Mas mesmo assim são mentalidades que não consigo compreender. O bem-estar acima de tudo. Se em três meses ele já mal aguenta aquele ambiente e chega exausto a casa, o que será daqui a mais nove meses? Quando me disse que não ía enviar porque o pai não queria enervei-me de tal forma que até as lágrimas me vieram aos olhos, só não desatei a chorar porque estava no autocarro e controlei-me, mas estes pensamentos e atitudes tiram-me do sério. Enerva-me saber de tudo o que lhe fazem e nem ele próprio agir em função do seu bem-estar. Dinheiro nenhum é capaz de pagar isso. E relativamente a esta situação ocorreu-me uma frase de Dalai Lama que não poderia ser mais adequada: «Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.»
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Eu não conseguia trabalhar assim ou ver o meu filho a ser assim "explorado"! Mete a mão na consciência do rapaz!
ResponderEliminarSempre adorei essa frase do Dalai. Quando andava no estágio tambem estava a odiar. Não nos respeitavam (a nós estagiarios). Nao tinham respeito nem pelo trabalho que desenvolviamos nem pela nossa vida pessoal. Eu cheguei a fazer 14h num dia com 20min para almoço. Entrei as 10h e ja passava da meia-noite sendo que no dia seguinte teria de lá estar novamente às 10h. Felizmente era um estágio apenas de 3meses mas odiei cada segundo. O ambiente era mau e durante esses meses praticamente só ia a casa dormir mal via a família! Já para nao falar que até ao fim-de-semana chamavam. Acho estágios muito bonitos mas a maioria dos estágios é pura escravatura. Podem até pagar (ou não) mas não têm qualquer respeito pelas pessoas... Aproveitam-se do desespero e boa vontade de nós, jovens, a lutar por entrar no mercado de trabalho.
ResponderEliminarEu não conseguia trabalhar assim :/
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