abril 04, 2014

Porque me identifico #3


«Podemos tentar inúmeras vezes, sozinhos em casa, montar o móvel que comprámos a semana passada e não conseguirmos perceber como as peças encaixam umas nas outras. Podemos estar sozinhos em casa e tentar inúmeras vezes cozinhar aquele prato que tanto desejamos. Estando sozinhos, fazêmo-lo infinitas vezes. Mas quando sabemos que alguém está a ver, então tudo se torna mais complicado. Não é o medo de falhar, é o medo de falhar e alguém estar a ver. 

Da mesma forma, quando tropeçamos na rua, ou caímos no passeio, na lista top 3 de preocupações está "alguém viu?". Pode não ser certamente a primeira coisa em que pensamos quando caímos na rua, mas está definitivamente no pódio das preocupações. E é esse medo de estar alguém a ver que impede que muitas coisas se façam e que muitos objetivos se atinjam. Esse receio de ter olhos a ver-nos falhar faz-nos não tentar mais vezes até conseguir. Isto é válido para o prato que queremos saber cozinhar e para o trabalho que queremos ter na vida. É válido para apresentar propostas ao nosso chefe ou para montar o móvel lá de casa (...).

O problema das pessoas não irem mais longe não é o medo de cair é o medo de estar gente a ver (...). Não ter medo não significa não ter coragem para tomar medidas difíceis, significa tomá-las sem pensar nas consequências. Não ter medo é mau, é inconsequente. E entre não ter medo e ser-se corajoso vai uma distância grande. O corajoso não é aquele que salta para o escuro sem pensar, é aquele que pensa muito bem nas consequências e decide saltar. Sem empurrar ninguém.»

Sérgio Diamantino